Kassab será o chefe da Casa Civil de Doria. Isso é bom para Mogi e Bertaiolli, mas e para o Alto Tietê?
Com Kassab na Casa Civil, o deputado federal eleito Marco Bertaiolli (PSD) terá, de certa forma, ‘todas as portas do governo do Estado’/ Foto: Glaucia Paulino/Oi Diário
Guararema Mirante Novembro

O governador eleito de São Paulo, João Doria (PSDB), definiu o ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab (PSD) como o secretário-chefe da Casa Civil durante a sua gestão no Palácio dos Bandeirantes.

Em entrevista que estava prevista para esta segunda-feira, 5, ele também vai oficializar a escolha do vice-governador eleito, o deputado Rodrigo Garcia (DEM), para assumir a Secretaria de Governo, respondendo pela articulação política com a Assembleia Legislativa.

Prefeito de São Paulo entre 2006 e 2012, Kassab é presidente nacional do PSD, partido que fundou em 2011 após deixar o DEM. Atualmente, ele exerce o cargo de ministro da Ciência e Tecnologia no governo do presidente Michel Temer (MDB).

Antes, comandou a pasta das Cidades no governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) entre 2015 e 2016.

Durante a pré-campanha em São Paulo, o ministro teve um papel importante para a candidatura de Doria. O PSD foi o primeiro partido a fechar um apoio ao tucano, tendo Kassab na linha de frente para conter a migração de aliados do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) para a base do então pré-candidato à reeleição, Márcio França (PSB).

Inicialmente, a expectativa era que o ex-prefeito fosse o candidato a vice-governador, mas ele acabou cedendo a posição para Rodrigo Garcia em nome da entrada do DEM na chapa.

Mesmo fechado com o governo Doria, Gilberto Kassab também teve um gesto interpretado como um aceno ao presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL).

Responsável pelos Correios, o ministro decidiu substituir o atual presidente da estatal, Carlos Fortner, pelo general Juarez Aparecido de Paula Cunha, que estava à frente do Conselho de Administração.

Ao jornal Folha de S.Paulo, Kassab afirmou ter escolhido o general Juarez por ele “conhecer o pessoal do Bolsonaro”. “Pensei que isso ajudaria na transição”, disse.

A pasta atualmente comandada pelo ex-prefeito no governo federal será dirigida, na gestão de Jair Bolsonaro, pelo astronauta Marcos Pontes (PSL), tenente-coronel da reserva da Aeronáutica.

Os prováveis secretários de Doria 

Outros nomes cotados para o governo Doria em São Paulo incluem técnicos e pelo menos mais um político, o deputado estadual eleito Frederico D’Ávila (PSL).

Presidente da Sociedade Rural Brasileira, D’Ávila é cogitado como ponte entre a gestão tucana e o PSL, que neste ano elegeu a maior bancada da Assembleia Legislativa, com quinze deputados estaduais.

O nome preferido do governador eleito para a Fazenda é o da economista Ana Carla Abrão, sócia da consultoria Oliver Wyman e ex-secretária da Fazenda de Goiás. Em 2016, ela foi sondada para ocupar a mesma pasta na capital paulista quando o tucano foi eleito prefeito, mas declinou do convite.

Para a Educação, o educador Mozart Neves Ramos, ex-secretário de Pernambuco e diretor do Instituto Ayrton Senna, é o favorito. O médico Claudio Lottenberg, ex-presidente do Hospital Albert Einstein, está cotado para a Saúde, assim como David Uip, ex-secretário durante o governo Alckmin. O ex-secretário municipal de Relações Internacionais, Júlio Serson, e o atual da Comunicação, Fábio Santos, também podem compor o governo.

Kassab, Bertaiolli e o Alto Tietê   

Com Kassab na Casa Civil e com Rodrigo Garcia na Secretaria de Governo, o deputado federal eleito Marco Bertaiolli (PSD) e o deputado estadual reeleito, Estevam Galvão (DEM) terão, de certa forma, ‘todas as portas do governo do Estado’ abertas.

No caso das cidades, Mogi, mais uma vez deverá receber mais atenção do governo estadual em razão de o prefeito Marcus Melo ser do PSDB e de Bertaiolli ser do PSD.

Por outro lado, Suzano poderá ser beneficiada por causa da relação entre Estevam, Garcia e Doria, mas o problema é que o prefeito Rodrigo Ashiuchi (PR) apoiou ostensivamente a candidatura de Márcio França (PSB). Suzano e outras cidades sofrerão retaliação? A conferir.