Jornalista foi morto por revelar o uso de armas químicas pela Arábia Saudita no Iêmen
O jornalista Jamal Khashoggi, que morreu no começo do mês no consulado saudita em Istambul, Turquia, estava prestes a revelar o uso de armas químicas pela Arábia Saudita/ Foto: Divulgação
Guararema Mirante Novembro

O jornalista Jamal Khashoggi, que morreu no começo do mês no consulado saudita em Istambul, Turquia, estava prestes a revelar o uso de armas químicas pela Arábia Saudita no Iêmen. A informação fui publicada pelo jornal inglês Express nessa segunda-feira, 29, a partir de fontes próximas a Khashoggi.

O serviço secreto britânico interceptou mensagens da Inteligência saudita, revelando ordens de um “integrante do círculo real” para sequestrar um jornalista incômodo e levá-lo de volta para a Arábia Saudita. Isso três semanas antes do desaparecimento de Khashoggi, visto pela última vez entrando no consulado no dia 2 de outubro, em Istambul.

As informações são de fontes próximas ao serviço britânico, informa o jornal inglês. As ordens não vieram diretamente do príncipe Mohammed bin Salman e não se sabe se ele estava ciente dessa orientação. A mensagem interceptada também dizia que “as portas estão abertas” para outras ações caso o jornalista causasse problemas.

Morte foi premeditada

Na semana passada, o procurador-geral saudita confirmou que o assassinato foi premeditado, em contraste com explicações iniciais que Khashoggi teria sido morto após o início de uma briga. A fonte do serviço secreto inglês confirma que o serviço saudita foi aconselhado a abortar a missão, mas o pedido foi ignorado.

O jornal inglês levanta também outras facetas do jornalista colaborador do Washington Post. Um integrante de um grupo britânico de reflexão sobre política externa declarou que “a imagem enganadora que se criou de Jamal Khashoggi encoberta mais do que se revela”, pois era um islamita, integrante da Irmandade Muçulmana, e simpatizava com as ações de Osama Bin Laden no Afeganistão.