Jogo bruto: 2º protesto contra o aumento da tarifa em SP tem forte ação policial e silêncio da grande imprensa
A imprensa foi violentamente empurrada e os fotojornalistas e cinegrafistas que questionaram o comportamento antidemocrático foram ameaçados/Foto: Wagner Ribeiro

Durante o segundo ato contra o aumento da tarifa do transporte público em São Paulo, realizado na quarta-feira, 16, por meio de convocação do Movimento Passe Livre (MPL) nas mídias sociais, ficou claro que a violência policial contra manifestantes e jornalistas é uma estratégia para silenciar qualquer voz de protesto e evitar que elas ecoem na sociedade por meio da mídia.

Mais de 15 manifestantes foram detidos. E o fotojornalista Daniel Arroyo foi atingido no joelho por uma bala de borracha, segunda informa o articulista Wagner Ribeiro em uma reportagem publicada no site do Jornal GGN.

De acordo com Ribeiro, o grupo de manifestantes se reuniu às 17h na Praça do Ciclista, esquina da avenida Paulista com a rua da Consolação.

A repressão começou logo no início do ato. Alguns manifestantes foram detidos arbitrariamente, sob a justificativa de “comportamento suspeito”.

A imprensa foi violentamente empurrada e os fotojornalistas e cinegrafistas que questionaram o comportamento antidemocrático foram ameaçados.

A estratégia primeira para impedir que o ato seguisse foi instalar o medo. Não funcionou. Os manifestantes resistiram. Em seguida, a Polícia Militar cercou o grupo e impediu a entrada de qualquer pessoa na concentração. Claramente, o objetivo era enfraquecer e esvaziar o ato. Também não funcionou.

“Por volta das 18h20, depois de fracassar nas tentativas anteriores de dispersão, partiram para o ataque com bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha. Tudo isso está registrado nos vídeos que postei aqui no meu perfil no Facebook (perfil de Ribeiro). Foi neste momento que o fotojornalista foi atingido no joelho”.

Nessa confusão, um dos manifestantes detidos, mesmo depois de contido, como mostram as imagens do cinegrafista Francisley Oliveira de Lima (É só dar um Google), foi pressionado contra uma grade de ferro e agredido com socos pela Polícia Militar. Como o ato estava disperso e o tumulto instalado, acharam que não seriam fotografados ou gravados. Engano.

Após o ataque violento e sem sentido, ao menos pelo entendimento legal de Estado democrático de direito, a manifestação se espalhou. Mas se reorganizou logo em seguida na Rua da Consolação e seguiu, como sempre, protestando pacificamente até a Praça Roosevelt. Mas cercado por policias mascarados, muitos sem identificação na farda, agindo ameaçadoramente e com a tropa de choque em prontidão.

No fim do ato, um grupo de manifestantes, não ligados ao MPL, se negou a liberar a rua da Consolação, de modo que a via chegou a ficar bloqueada nos dois sentidos. O grupo foi disperso e cerca de 15 integrantes foram detidos em ruas próximas, entre eles, alguns menores de idade.

Os jornalistas que tentavam fotografar ou gravar eram empurrados e ameaçados.

“Vai pro outro lado da rua. Isso é uma ordem! Você tá desobedecendo uma ordem direta?” – ameaçavam os policias.  A tentativa era fazer tudo às escondidas.

Em meio à confusão, o advogado Dimitri Sales, que trabalha com temas ligados os direitos humanos, tentou conversar com o comandante da Polícia Militar no local e intervir para garantir o cumprimento dos direitos dos manifestantes.

Mas o chefão não quis conversa e sequer informar para qual delegacia os detidos estavam sendo conduzidos. O obscurantismo e a violência na relação entre o Estado e os manifestantes reina nas ruas de São Paulo.