Reportagem publicada pelo site G1 denunciando possíveis atos de corrupção e fraude no governo de Salesópolis, revela a facilidade com que governantes e lideranças políticas tentam ‘tirar o seu da reta’, apesar de uma grande quantidade de indícios indicarem que o esquema envolveria peixes graúdos e não só lambaris. Mas no caso de Salesópolis tudo leva a crer que só os lambaris foram ou serão fisgados.

Confira a reportagem do G1 e tire suas conclusões. Independente de como essa história deverá ser abafada, o fato é que o prefeito de Salesópolis (Vanderlon Gomes) é do PR – partido que tem um ambicioso projeto de poder para a região do Alto Tietê. O objetivo do partido é comandar todas as prefeituras desta região a partir de 2020.

O CASO

O prefeito de Salesópolis afastou um funcionário envolvido nas denúncias de irregulardiades em um evento rural no fim do ano. O prefeito Vanderlon Gomes nega ter assinado lista e diz que pode ter sido vítima de falsificação. O evento foi sediado em uma cooperativa.

O presidente da cooperativa agrícola de Salesópolis, Hélio Ocanha Lorca, afirma que ficou tão surpreso quanto os moradores sobre as denúncias. Segundo ele, a cooperativa apenas emprestou o salão para a realização do evento. “A gente quer tranquilizar todos os nossos cooperados que nós, que a cooperativa, não está envolvida de espécie nenhuma e que a gente vai continuar cedendo o espaço ao Senar, porque é uma parceria importante para nós”, disse.

Na semana passada, o Diário TV denunciou um suposto desvio de verbas públicas e falsificação de documentos em um curso realizado no dia 7 de dezembro na cooperativa agrícola. O evento sobre “agronegócio regional” foi uma parceria do Serviço Nacional de Apredizagem Rural (Senar) com a Prefeitura.

As possíveis irregularidades foram denunciadas pelo vereador Rodolfo Marcondes, que é também presidente da Comissão Permanente de Agricultura. Uma delas tem a ver com uma nota fiscal sobre montagem de estande. A estrutura custou R$ 2 mil, mas o vereador diz que essa prestação de serviço nunca existiu.

“Não hã necessidade de estande ou tenta, eu pude verificar, como pode ser confirmado por uma transmissão ao vivo de um blog da cidade, que realmente não teve”, contou o vereador.

A substituição repentina do coordenador de projetos, dois meses antes do curso, por Reginaldo do Prado, que não era concursado, também chamou a atenção. Ele teria assinado e liberado o pagamento da nota do estande.

A lista de presença tem cerca de 100 nomes de participantes, mas uma foto do evento mostra uma plateia bem menor. Na lista, assinada pelo prefeito Vanderlon Oliveira Gomes, o vereador identificou pelo menos seis moradores de Salesópolis que não participaram do evento, metade parentes dele.

“O recurso vem de acordo com o número de participantes. Então provavelmente para receber uma quantidade maior de recursos, colocaram vários participantes, inclusive até o meu pai falecido.”

E se existe alguma dúvida, o vereador mostra o atestado de óbito do pai que morreu três meses antes do curso.

O agricultor Flávio de Souza Graça, também com nome na lista, diz que nunca participou do encontro. Ele contou que o nome dele está na lista, mas a assinatura não é dele.

A Comissão de Agricultura, com apoio de mais quatro vereadores, acionou o Ministério Público para que a Prefeitura seja investigada pelas supostas fraudes.

Vanderlon Oliveira Gomes não respondeu às ligações do Diário TV na semana passada e só se pronunciou depois da reportagem ir ao ar. Sobre as suspeitas de irregularidades, o prefeito afirma que o coordenador de projetos, Reginaldo do Prado, nomeado por ele em outubro, foi afastado, e que uma sindicância foi aberta para apurar o caso.

“Vale ressaltar que nós não pactuamos como nenhum tipo de conduta dessa natureza. Tanto é que tomamos todas as providências. Eu também fui pego de surpresa, sou vítima como a sociedade”, justificou o prefeito.

Uma foto do encontro que mostra uma plateia menor do que a que consta na lista de presença, também revela, em um canto, que o prefeito estava no local. Sobre a assinatura dele, atestando uma lista de presença supostamente falsa, Vanderlon afirma que também foi vítima.

“Eu estou afirmando para você, que a minha assinatura, eu acredito pelo tamanho que está naquela ficha, não é uma assinatura oficial, uma assinatura original”, informou. “Nós estamos apurando para ver o que ocorreu. Então se houve falsificação da minha assinatura, tanto é que nós já abrimos um processo administrativo, lavramos boletim de ocorrência, estamos sindicância em andamento e estamos apurando tudo. E se houve irregularidade, nós vamos apurar os fatos e encaminhar aos órgãos competentes”, continuou.

A Consultagro já havia informado que prestou serviços para “organização e montagem de estande”, mas que isso também se referia a trabalhos que foram prestados de fato, como a organização do local, locação de equipamentos, confecção de materiais gráficos e exposição de produtos. Disse ainda que o ítem “montagem de tendas”, em hipótese alguma fazia parte dos trabalhos contemplados porque o evento foi dentro de um auditório.

Reginaldo Prado disse que nunca foi funcionário da Prefeitura e que só recebia “auxílio-deslocamento” para o combustível do carro de até R$ 264. Disse ainda que nunca autorizou pagamentos e que apenas assinava na parte de trás das notas para identificar sobre o que se tratavam, depois disso repassava todas as notas para o setor financeiro, responsável pelos pagamentos.