‘Entidade inédita’ de combate aos crimes contra as mulheres mira os procuradores da prefeitura de Ferraz
O Mulher Sem Medo entrará com petições no MP e na prefeitura de Ferraz cobrando investigações e posicionamentos públicos sobre dois advogados e procuradores do município/ Foto: Glaucia Paulino/ Oi Diário
Prefeitura de Mogi das Cruzes

O combate a violência contra a mulher ganhou um forte aliado, a Organização da Sociedade Civil (OSC) Mulher Sem Medo.

O projeto, inédito no país, é ligado ao Conselho da Mulher Empreendedora (CME) e tem por finalidade fiscalizar e pressionar as esferas públicas do Estado a fiscalizar e punir agressores.

Para a presidente do Mulher Sem Medo, a economista e empresária Janaína Dias, a omissão e negligência do Estado brasileiro são os principais aliados dos agressores das mulheres.

“Apenas 5% dos processos de crimes contra a mulher estão em trâmite na Justiça e apenas 1% dos estupradores estão presos. Vamos cobrar que a polícia, Ministério Público e a Justiça tenham uma maior eficácia e rigor nestes casos. Hoje temos um Estado que está privilegiando o agressor e a impunidade “, salientou a presidente da entidade.
O projeto Mulher Sem Medo está sediado em São José dos Campos e inicialmente atuará no Vale do Paraíba e no Alto Tietê.

No município de Ferraz de Vasconcelos, o Mulher Sem Medo entrará com petições no MP e na prefeitura local cobrando investigações e posicionamentos públicos sobre dois advogados e procuradores do município, que juntos tem uma série de Boletins de Ocorrência registrados na Polícia Civil por crimes que vão desde ameaças, importunação ofensiva ao pudor, abuso sexual e agressão. Quase a totalidade dos abusos ocorreram dentro da sede da prefeitura.

Segundo o diretor jurídico do projeto, o advogado Fabrício Grellet, o prefeito de Ferraz está sujeito a perder o cargo caso não tome providências e dê satisfações públicas sobre o comportamento desses dois servidores.

A imprensa da região noticiou que os procuradores municipais e advogados Gabriel Nascimento de Oliveira e Marcus Vinicius Matos Lopes estão sendo alvo de uma ação da Corregedoria Pública, no entanto os crimes de gênero foram ignorados. “Esse é um caso tão gritante de abuso do próprio Estado e de acobertamento de possíveis ações criminosas contra mulheres que tomamos isso como emblemático e iniciamos as atividades por Ferraz”, comentou o diretor.

A prefeitura e os procuradores municipais foram procurados, mas não se manifestaram até a conclusão dessa nota.