A Federação Paulista de Futebol divulgou, no começo da tarde desta quarta-feira, uma nota oficial rebatendo as alegações do Palmeiras de que houve interferência externa sobre a arbitragem na final do Campeonato Paulista. No texto, assinado pelo presidente Reinaldo Carneiro Bastos, a entidade nega qualquer influência e diz que nenhum diretor teve participação na decisão sobre o cancelamento do pênalti marcado em Dudu, do Palmeiras, no jogo contra o Corinthians.

A Federação, na nota, afirma que Dionísio Roberto Domingos, diretor de arbitragem, estava autorizado a ficar em volta do gramado. O texto não cita se ele poderia ter falado com os árbitros – justamente a alegação do Palmeiras para dizer que houve interferência externa.

No comunicado, a Federação lamenta ações que tentem decidir judicialmente o título paulista, mas diz que está atenta aos pedidos do Palmeiras sobre gravação de áudios dos árbitros e uso de árbitro de vídeo.

Confira a íntegra da nota da Federação Paulista:

São Paulo, 10 de abril de 2018

“Em respeito ao torcedor, a Federação Paulista de Futebol vem novamente a público prestar os seguintes esclarecimentos:

1- Como responsável pela avaliação da equipe de arbitragem, Dionísio Roberto Domingos estava legitimado a permanecer no entorno do gramado, onde ficou durante a partida inteira. Nem ele nem nenhum diretor da entidade teve qualquer influência na decisão da equipe de arbitragem na final do Campeonato Paulista de 2018;

2- As imagens veiculadas pelo site da Sociedade Esportiva Palmeiras não provam nenhuma interferência externa na decisão dos árbitros, de voltar atrás na marcação de um pênalti inexistente;

3- A FPF lamenta qualquer ação que vislumbre modificar o resultado de campo nos tribunais;

4- Por fim, a FPF informa que está atenta às reivindicações feitas pelo Palmeiras por meio da imprensa e afirma que, em coerência com todas a atitudes desta gestão, colocará as propostas em pauta para que os clubes, soberanamente e em colegiado, decidam a respeito da gravação das conversas entre os árbitros e da adoção do VAR para o Paulistão-2019.

O que alega o Palmeiras, passo a passo, no vídeo:

O Palmeiras abre o vídeo exibindo a lateral do campo, onde está localizado o banco de reservas da equipe e o túnel que dá acesso aos vestiários;

Depois da marcação do pênalti, o clube destaca o surgimento do diretor de arbitragem da FPF, Dionísio Roberto Domingos;

Com alguns jogadores na linha lateral, Dionísio se aproxima, depois recua e volta para falar com o árbitro assistente Anderson José de Moraes Coelho;

No vídeo, o Palmeiras diz que o diretor não poderia ter contato com o trio de arbitragem, informação negada pelo comentarista de arbitragem da TV Globo, Paulo César de Oliveira;

Logo em seguida, o quinto árbitro, Alberto Poletta Masseira, que pedia o retorno dos jogadores do Palmeiras ao banco de reservas, corre para a outra parte do campo, onde estão atletas do Corinthians, e o quarto árbitro, Adriano Miranda;

Masseira conversa rapidamente com Miranda, que logo depois chama o árbitro Marcelo Aparecido Ribeiro de Souza. Segundos depois, o pênalti é cancelado.

Falta de pagamento pode impedir pedido do Palmeiras

O presidente do TJD (Tribunal de Justiça Desportiva) de São Paulo, Antonio Olim, afirmou nesta quarta-feira, 11, que uma falta de pagamento pode impedir o pedido de impugnação da partida pelo Palmeiras. Trata-se de uma taxa de R$ 9 mil que deve ser paga à Federação Paulista de Futebol.

A obrigatoriedade consta no artigo 84 do CBJD (Código Brasileiro de Justiça Desportiva), que trata de pedidos de impugnação. Além do pagamento de “emolumentos”, o requerente, o Palmeiras, no caso, deveria entregar também provas das supostas irregularidades.

Segundo Olim, o clube anexou apenas uma procuração aos documentos enviados ao Tribunal na última terça-feira.

– O artigo 84 pede a juntada de documentos, de todas as provas. Eles só juntaram uma procuração. E tem o pagamento de emolumentos à Federação, que deveria ter sido feito ontem (terça), aqui não foi feito. Só isso já dá indeferimento. Vamos em cima da lei, em cima do que o código pede, e vamos usar a maior clareza e transparência – afirmou o presidente do TJD.