‘Dupla fantástica’ denuncia abusos do governo Biruta e questiona o silêncio da OAB e da Câmara em Ferraz
Os procuradores afastados da prefeitura de Ferraz, Gabriel Lins e Gustavo Rossegnoli, estiveram nesta segunda no “Café na Redação”/Foto: Glaucia Paulino
Prefeitura de Mogi das Cruzes

Os advogados e procuradores (afastados) da prefeitura de Ferraz de Vasconcelos, Gabriel Lins e Gustavo Rossegnoli, participaram nesta segunda-feira, 15, do “Café na Redação”.

Na conversa de quase 50 minutos os dois procuradores passaram a limpo o processo de afastamento dos advogados por meio de concurso público em 2011 pela prefeitura de Ferraz.

Eles foram afastados dos cargos em agosto de 2018 pelo governo do prefeito Zé Biruta sob a alegação de prática de ato de improbidade e falta de decoro para com o cargo que exerciam.

Os dois procuradores repetiram diversas vezes durante a Live que teriam sido alvos de uma ‘emboscada’ praticada por uma colega procuradora (que também foi afastada do cargo) e representantes do governo de Ferraz.

Nessa emboscada, assessores do prefeito Zé Biruta teriam gravado uma integrante da procuradoria propondo aos assessores do prefeito que um processo de sindicância administrativa aberto contra dois procuradores fosse arquivado (pelo governo) sendo que em troca os procuradores também arquivariam sindicâncias e investigações contra integrantes do primeiro escalão do governo Biruta.

“Fomos afastados inicialmente com base nessa gravação onde os nossos nomes (Gabriel e Gustavo) foram envolvidos de forma leviana. Nunca proporia qualquer tipo de acordo com agentes políticos que são réus em processos administrativos e/ou judiciais. Só fiquei sabendo em janeiro deste ano (o afastamento foi em agosto de 2018) os motivos pelos quais fomos afastados de forma arbitrária e abusiva dos cargos”, disse Lins.

“Já processei a procuradora que se deixou gravar falando do meu nome em um acordo que ela levou ao governo sem o nosso conhecimento e, espero que no final dessa sindicância (administrativa) a verdade prevaleça. O que estamos fazendo neste momento (detalhar os bastidores do caso) tem a ver com a necessidade de preservamos a nossa reputação, nossa honra e moral que foram afetados nesse caso”, explicou Lins.

Na entrevista os dois procuradores afastados estimaram que apresentaram mais de 50 denúncias contra os ex-prefeitos Dr. Jorge, Acir Filló (que segue preso em Tremembé), José Izidro e contra o atual prefeito Zé Biruta.

“Não temos nada pessoal contra ninguém, mas tínhamos e temos a obrigação profissional de apontar irregularidades e crimes contra a administração pública. E por esse motivo muitos agentes políticos tentaram nos perseguir, mas podemos assegurar que não praticamos nenhum tipo de crime”, acrescentou Lins que lamentou o silêncio e o descaso da OAB e da Câmara de Ferraz em relação ao processo administrativo (considerado abusivo e arbitrário) que afastou os procuradores de seus respectivos cargos.

Tanto o governo do prefeito Zé Biruta, quanto a direção da Câmara e da OAB em Ferraz poderão se manifestar sobre o assunto nas próximas horas.