Foto: Jonny Ueda/Alesp/Dep Gondim

Uma equipe especializada contratada pelo Departamento de Estradas e Rodagem (DER) já realizou a implosão da rocha de mais de 200 toneladas que caiu nas pistas da Rodovia Dom Paulo Rolim Loureiro, a Mogi-Bertioga (SP-098), após um novo deslizamento de terra atingir o local. O acidente aconteceu na madrugada de quarta-feira e fez crescer os debates e questionamentos sobre como o DER deve ‘prever’ e impedir novos deslizamentos e interdições da via.

Além da pedra, a Defesa Civil estima que mais de 280 toneladas de terra tenham caído na pista. Após a implosão da rocha, as equipes continuam os trabalhos de remoção da terra e da vegetação que se encontram atrás do muro de contenção. Os trabalhos devem durar, pelo menos, mais três dias.

Na tarde de quinta-feira, 12, durante os serviços realizados na rodovia, os técnicos do (DER) ainda identificaram uma nascente de água a 50 metros da pista da Mogi-Bertioga.

Segundo o departamento, a previsão é de que a rodovia permaneça interditada até, pelo menos, segunda-feira, quando geólogos a serviço do Estado reavaliarão a situação da via. A equipe técnica do DER estima que foram movimentados cerca de 10 mil m³ de material do talude, que deverá ser completamente removido para limpeza e desobstrução da pista.

Os serviços de limpeza do material que escorregou do talude deverão ocorrer durante todo o fim de semana. Caso as condições climáticas afetem o trabalho e tragam risco à segurança das equipes do DER, os serviços serão interrompidos até que haja melhora no tempo.

A rodovia continua completamente interditada para o tráfego no trecho que vai do Km 69 ao Km 98. O desvio no sentido São Sebastião, Caraguatatuba e Ubatuba deve ser realizado pelas rodovias dos Tamoios (SP 099) e Oswaldo Cruz (SP 125). Já para os condutores que trafegam para Guarujá e Bertioga, o Departamento orienta seguir pela via Anchieta (SP 150) / Rodovia dos Imigrantes (SP 160).

Deslizamento

O incidente aconteceu por volta das 5h de quarta-feira. Segundo o DER, chovia no trecho de serra da rodovia, e o solo encharcado contribuiu para o deslizamento, que ocorreu no local que passava por manutenções após o último desmoronamento, registrado no fim de março.

Após o ocorrido, um caminhoneiro avisou à Polícia Militar sobre a possibilidade de um carro ter sido atingido pelo deslizamento. Equipes chegaram a utilizar cães farejadores para encontrar possíveis vítimas, porém, a possibilidade foi descartada no fim da manhã do mesmo dia.

Este é o quarto deslizamento no trecho. O primeiro incidente interditou totalmente a rodovia por uma semana, em 15 de fevereiro. O segundo, em 21 de março, bloqueou a via por dois dias. A última interdição foi em 28 de março, quando parte de uma barreira erguida para conter a encosta veio a baixo.

Excesso de coragem e falta de planejamento? 

A rodovia Mogi-Bertioga foi “aberta no peito e na raça” nos anos de 1980 pelo ex-prefeito de Mogi, Waldemar Costa Filho. Até hoje destaca-se a coragem do ex-prefeito que abriu a serra ao meio para ligar Mogi e ao Alto Tietê e ao Litoral do Estado de São Paulo.

Lideranças políticas e veículos de comunicação de Mogi, a cada nova interdição da via, questionam o DER e cobram soluções. Mas, será que os deslizamentos seguidos de terra e rochas não seriam uma resposta da natureza ao excesso de coragem e falta de planejamento dos responsáveis pela obra? E neste caso, os problemas deverão continuar ocorrendo apesar da politicagem de políticos e questionamentos vazios de setores da imprensa? A refletir.