Cidade vivencia um clima de medo e guerra
Prefeito fala em pesadelo e decreta luto por três dias/ Foto: Glaucia Paulino/Oi Diário
Prefeitura de Mogi das Cruzes

A reportagem do Jornal Oi foi informada sobre a tragédia por volta das 10 horas dessa quarta-feira, quando os primeiros agentes policiais que chegaram ao prédio da escola ainda tinham a esperança de achar as vítimas apenas feridas e não mortas. Nos minutos que se seguiram, os policiais acabaram constatando que a enorme tragédia tinha se consumado. Quase que de imediato, a cidade de Suzano transformou-se ‘no centro do Brasil e até mesmo do mundo’.

Dezenas de jornalistas seguiram para o entorno da escola Raul Brasil onde centenas de policiais, bombeiros, funcionários da escola, parentes das vítimas e curiosos ainda tentavam entender a tragédia que tinha se abatido sobre uma das mais tradicionais escolas estaduais de Suzano e da região do Alto Tietê.

Durante todo o resto do dia, mas principalmente no final da manhã e início da tarde dessa quarta-feira, o cenário na escola e no entorno da unidade escolar era de guerra. Entre às 12 e 13 horas, três a quatro helicópteros da polícia e de veículos de comunicação sobrevoavam o local do massacre que fica praticamente no centro de Suzano.

O barulho dos helicópteros aumentou ainda mais a sensação de que Suzano ‘estava sendo bombardeada’. Em solo, no ar, nas ruas, o clima estava pesado. Na rua General Francisco Glicério era possível sentir a tensão no ar. As pessoas falavam no celular e predominava o tom de espanto e incredulidade.

Nos aparelhos de televisão ligados nas lojas, a tragédia de Suzano era o destaque principal. É possível afirmar desde já que na história de 70 anos nunca um fato gerou tanta perplexidade e revolta entre a população que simplesmente não entendia (e não deverá entender nunca) porque dois homens (sendo um adolescente) entraram em uma escola e abriram fogo contra funcionários e alunos.

Prefeito Rodrigo Ashiuchi estava voando para Brasília quando foi informado do massacre

O prefeito de Suzano, Rodrigo Ashiuchi (PR), revelou para a reportagem do Jornal Oi que estava viajando para Brasília quando foi informado do ataque na escola Raul Brasil. Ele desembarcou na Capital federal e imediatamente embarcou de volta à São Paulo.

Ao lado da esposa e presidente do Fundo Social de Solidariedade, Larissa Ashiuchi, ele prestou toda a solidariedade aos parentes das vítimas e a toda a comunidade escolar. Em conversa com os jornalistas o prefeito resumiu o sentimento de muitos suzanenses em relação ao massacre. Ele afirmou que Suzano vivenciava nessa quarta-feira um terrível pesadelo.

Após massacre prefeito de Suzano decreta luto oficial de três dias na cidade
O prefeito Rodrigo Ashiuchi decretou três dias de luto oficial na cidade a partir dessa quarta-feira por causa do massacre na Escola Estadual Raul Brasil. Aulas nas escolas municipais foram suspensas por dois dias, assim como nas escolas estaduais da cidade.

“A gente vê a notícia e nem imagina que é a cidade onde mora, onde é prefeito. Uma escola tradicional da nossa cidade, aproximadamente 400 alunos estavam lá de manhã. É uma escola na malha central de Suzano. Uma coisa surreal o que aconteceu hoje”, afirmou Ashiuchi.

Questionado sobre a segurança, o prefeito descarta falhas e afirma que o massacre foi uma situação fora da realidade. “Uma coisa que a gente pensa que acontece só na casa dos outros, em filmes ou em outros lugares. Os motivos ainda estão sendo apurados pelos policiais. Mas não é uma questão de segurança, pois trabalhamos firmes nas escolas de Suzano”.

Arena Suzano recebe velório coletivo

O prefeito destacou que foi oferecido para as famílias a Arena Suzano no Parque Max Feffer para a realização de um velório coletivo. O ato teve início às 7 horas desta quinta-feira.

“Oferecemos também para ajudar na organização para amparar essas famílias neste momento difícil”, acrescentou o prefeito. A Câmara de Suzano também decretou luto oficial por três dias no Legislativo, contados a partir dessa quarta.

A sessão ordinária, que seria realizada a partir das 18 horas de ontem foi transferida para segunda-feira.

Prefeitura apresenta relação com os nomes das vítimas fatais e feridas no ataque contra a escola estadual

VÍTIMAS FATAIS (10)

– Marilena Ferreira Vieiras Umezo (funcionária)
– Eliane Regina Oliveira Xavier (funcionária)
– Jorge Antônio Morais (proprietário da agência de veículos)
– Kaio Lucas da Costa Limeira (estudante)
– Claiton Antonio Ribeiro (estudante)
– Samuel Melquiades Silva de Oliveira (estudante)
– Douglas Celestino (estudante)
– Caio Oliveira (estudante)
– Guilherme Tancci Monteiro (homicida)
– Luiz Henrique de Castro (homicida)

VÍTIMAS FERIDAS (11)

– Letícia de Melo Nunes (Hospital Santa Marcelina – Itaquaquecetuba)
– Samuel da Silva Félix (Hospital Santa Maria – Suzano)
– Beatriz Gonçalves Fernandez (Santa Casa de Misericórdia de Suzano)
– Anderson Carvalho Brito (Hospital das Clínicas de São Paulo)
– Murilo Gomes Lauro Benites (Hospital das Clínicas de São Paulo)
– Jenifer da Silva Cavalcante (Hospital Luzia de Pinho Melo – Mogi das Cruzes)
– Leonardo Vinícius Santa Rosa (Santa Casa de Misericórdia de Suzano)
– Adina Isabella Bezerra de Paula (Santa Casa de Misericórdia de Suzano)
– Guilherme Ramos do Amaral (Santa Casa de Misericórdia de Suzano)
– José Vítor Ramos Lemos (Hospital Santa Maria – Suzano)
– Leonardo Martinez Santos (Hospital Luzia de Pinho Melo – Mogi das Cruzes)