Após sessão ordinária quando foi lida apenas a declaração de extinção do mandato do vereador, Lairton Dantas Pessoa (PRB), o Primo Ceará, na segunda-feira, 16, a Câmara Municipal de Ferraz de Vasconcelos prestou uma singela homenagem póstuma ao parlamentar, de 58 anos, que morreu de infarto fulminante, no sábado passado.

Na ocasião, foi feito um minuto de silêncio e uma salva de palmas em memória do saudoso vereador que exercia o seu primeiro mandato eletivo na Casa.

Na presença de familiares, entre eles, a esposa Erivanda Sousa, os filhos Thiago, Rafael e Larissa e de demais parentes e amigos, o presidente do Poder Legislativo, Flavio Batista de Souza (PTB), o Inha teve a difícil e dolorosa tarefa de usar a tribuna para falar sobre a breve, porém, brilhante trajetória política do colega e, sobretudo, do legado de homem trabalhador, de pai de família zeloso e do amigo de todas as horas, sempre disposto a ajudar o seu próximo.

Para Inha, Primo Ceará cumpriu a sua missão aqui na terra e, portanto, que seja feita a vontade do Criador. Por isso, por seu verdadeiro e incontestável exemplo de ser humano, o presidente acredita que o parlamentar nascido, em São Miguel (RN), todavia, criado no interior do Ceará, no nordeste brasileiro, fará muita falta a todos que os cercavam, mas apesar da dor da separação a vida precisa seguir em frente.  Além disso, Inha presenteou a dona Erivanda Sousa com uma bandeira de Ferraz.

Primo Ceará como uma legião de retirantes nordestinos deixou o seu torrão natal, ou seja, a cidade de Senador Pompeu, distante a 273 km de Fortaleza, no começo da década de 80, por volta dos 21 anos de idade para tentar a sorte, em São Paulo. Na capital, exatamente, no Jardim Brasil, na zona norte, com pouco estudo e nenhuma experiência anterior trabalhou, inicialmente, como marreteiro, vendedor de produtos de limpeza e vassoura de porta em porta e como entregador de pão.

Depois, finalmente, de momentos de tanta incerteza na vida para garantir o sustento de cada dia, ele conseguiu um emprego com carteira assinada em uma metalúrgica. Na fábrica, Primo Ceará trabalhou por vários anos, provando mais uma vez ser um funcionário dedicado ao serviço. No final dos anos 80, influenciado por parentes veio residir, em Ferraz. Na época, no início, atuou como vendedor de pipoca e após muito suor montou um barzinho no fundo casa onde morava, no Jardim Castelo.

Com tino comercial nas veias, aos poucos diversificou o seu negócio transformando o bar num mercadinho e, hoje, é um dos principais varejistas na região do Jardim Castelo, onde sempre residiu. Primo Ceará tinha o hábito de acordar cedo. Mesmo perdendo o esteio, a família promete continuar o legado do patriarca. No Legislativo, será substituído pela professora Roseli Aparecida Messias Ferreira (PRB), a Rose Fitness.