Brasil, a democracia da fome e do desperdício
O mapeamento da fome no país mostra que de 2014 até o momento, a crise econômica fez dobrar o número de pessoas em condição de miséria extrema / Foto: Divulgação

Falta muito para chegarmos a uma democracia, na qual o cidadão não viva apenas de direitos e deveres e o Estado seja um agente passivo. Vejamos a questão alimentar no Brasil. Somos o segundo maior produtor de alimentos do mundo, tanto em grãos como carne, numa das maiores diversidades de produtos do planeta. Mas isso é apenas uma posição comemorada por burocratas do governo e empresários do agronegócio.

O mapeamento da fome no país mostra que de 2014 até o momento, a crise econômica fez dobrar o número de pessoas em condição de miséria extrema. O IBGE mostrou que éramos 7 milhões de brasileiros não tinham o que comer. Hoje, mais de 13 milhões passam fome no território que abastece de alimento grande parte do mundo.

De acordo com dados da FAO Brasil – Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, 28% dos alimentos se perdem no processo de produção agrícola e mais 28% são jogados no lixo após chegarem às casas dos consumidores. No mundo, cerca de 1,3 bilhão de toneladas de comida são descartadas por ano, enquanto quase 800 milhões de pessoas passam fome.

No 10º lugar no ranking dos países que mais desperdiçam alimentos, o Brasil está atrás apenas de nações ricas como Estados Unidos, Inglaterra, Canadá, França, Alemanha, Espanha, Turquia, Japão e Austrália. Os países onde há miséria como a nossa não aparecem nesta lista. Ou seja, gerenciam melhor o que tem para comer.

Segundo levantamento da ABRAS – Associação Brasileira de Supermercados, 2% de todo o faturamento do setor, estimado em R$ 338,7 bilhões em 2016, vai para o lixo, algo em torno de R$ 7,1 bilhões. Lidera esse ranking negativo o desperdício com frutas, verduras e legumes, mas, também há muita perda de itens de padaria, comida pronta e carnes.