Nos últimos 40 meses, período posterior à liminar que garantiu a todos os magistrados direito ao auxílio-moradia, cerca de R$ 3 bilhões foram destinados a esse fim pela União é o que destaca Daiane Boelhouwer Menezes em artigo postado pelo Jornal GGN e parcialmente reproduzido pelo Oi.

Já escrevemos sobre essa excrecência, ou melhor sobre esse assunto aqui, mas nunca é demais chamar a atenção dos leitores e seguidores para esse abuso inominável do Poder Judiciário que atende pelo nome de auxílio-moradia. Abuso inaceitável, mas que tem respaldo das leis inaceitáveis que formam, mantém e privilegiam as castas deste Brasil.

A matéria (sobre o pagamento ou não desse auxilio imoral aos chefes do Judiciário) deve ser votada pelo Supremo Tribunal Federal em março. Já que o assunto é moradia, podemos estabelecer algumas comparações com os recursos investidos em programas de habitação de interesse social do governo federal. Somente com o valor do auxílio-moradia, de R$ 4.300, uma pessoa, em 2016, teria rendimentos maiores do que 92% das pessoas do Brasil.

Dados do Ministério das Cidades (2009-2016) mostram que a média de recursos investidos em domicílio contratado pelo Minha Casa, Minha Vida (MCMV) destinado às famílias que ganham até três salários mínimos é de cerca de R$ 52 mil.

Esse teto salarial do programa representava 61% do auxílio-moradia ou 8% do salário de um juiz em São Paulo e, ainda assim, seria um salário maior do que o de 84% dos brasileiros. Assim, o que um juiz ganhou nesses 40 meses de auxílio-moradia (R$ 172 mil) equivale à solução permanente do problema de moradia para três famílias.