Após a execução da Rayne, vereadores querem o fim das festas clandestinas
O enterro realizado nessa segunda atraiu centenas de pessoas/ Foto: Divulgação
Guararema Mirante Novembro

Após a morte trágica da adolescente, Rayane Paulino, de 16 anos, alguns vereadores de Mogi das Cruzes decidiram agir com o objetivo de acabar ou ao menos estabelecer regras para as festas (que estão sendo realizadas cada vez com mais frequência) em sítios da Zona Rural da cidade.

Na sessão ordinária do Legislativo mogiano desta terça-feira, 30, os vereadores lamentaram a execução da jovem, cujo enterro realizado nessa segunda-feira, 29, atraiu centenas de pessoas.

Caio Cunha (PV) e Mauro Araújo (MDB) afirmaram que o Poder Público precisa fiscalizar essas festas com o objetivo de impedir a venda e o consumo desenfreado de drogas e bebidas alcoólicas.

Os vereadores observaram que adolescentes quase meninas como foi o caso de Rayne  precisam ser protegidas.

“Não podemos esperar que outras Raynes sejam mortas para tomar providências”, observou Caio Cunha que vai elaborar um projeto de lei com a finalidade de estabelecer um regramento para as festas que estão sendo realizadas em sítios isolados na Zona Rural de Mogi.

“Existe a cobrança de ingressos nestas festas, tem pessoas sem escrúpulos por trás disso. Essas festas chegam a atrair mil pessoas, mas não existe nenhuma estrutura de segurança e muitas vezes o acesso à polícia e a uma ambulância é difícil. Vamos estabelecer regras para esse tipo de evento e depois cobrar fiscalização administrativa e policial”, explicou Caio Cunha.

Também se manifestaram sobre o assunto os vereadores Rodrigo Valverde (PT), Péricles Bauab (PR) e o pastor Carlos Evaristo (PSD).

Entenda o caso

Centenas de pessoas acompanharam o enterro de Rayane Paulino no Cemitério da Saudade. O corpo da jovem foi encontrado no domingo, 27, em uma área de mata do bairro Lambari, em Guararema, em avançado estado de decomposição.

Na multidão, parentes, amigos e pessoas que não conheciam Rayane e nem mesmo a família, mas acompanharam o caso e se sensibilizaram com a situação. Rayane foi enterrada ainda durante a tarde, cerca de 24 horas depois que o corpo dela foi encontrado.

“Eu vi um post ontem da Rayane nas redes sociais dela, e dizia assim: ‘se não der para melhorar, piorar não vai. Se não der para somar, vou multiplicar, dividir. Diminuir jamais. Esta era a minha filha. Ela jamais tentou fazer o mal a alguém. Ela quis sempre o bem a todos. Este era o princípio dela. Ela sofreu com esta violência do dia a dia, e desta forma a gente pede justiça. Mas aí tem a dos homens e a de Deus’”, enfatizou Marcio Paulino, pai de Rayane em entrevista ao site G1.

“Neste momento, eu tenho que cuidar da paz da Rayane. Que tudo o que ela passou, eu acho que ela está no céu, brilhando, e é isso que eu desejo”, acrescento o pai.

A mãe de Rayane, Marlene Maria Paulino Alves, reconheceu o corpo na manhã dessa segunda por causa de uma tornozeleira e da cor do esmalte. Por conta disso, não foi necessário fazer o exame de DNA.

Segundo o Instituto Médico Legal (IML), a causa da morte foi asfixia. Rayane estava desaparecida desde a madrugada do dia 21 de outubro, quando saiu de uma rave, em um sítio de Mogi.

Novo exame vai verificar se a jovem foi estuprada

O médico legista do IML Zeno Morroni Júnior informou que ainda serão feitos os exames para identificar a causa da morte, o exame toxicológico e também outro para verificar se a jovem foi estuprada.

Além disso, o cadarço que estava enrolado no pescoço da vítima foi retirado e encaminhado para a perícia criminalística. O delegado Rubens José Ângelo, da Delegacia de Homicídios, disse que a investigação segue. “Vamos trabalhar incansavelmente para descobrir os autores e prendê-los”, destacou o delegado.

Ela foi ao sítio ao lado de duas amigas

Na noite de sábado, 20 de outubro, Rayane Paulino foi a uma festa em um sítio de Mogi das Cruzes na companhia de mais duas amigas. O pai dela a deixou na casa de uma delas. Para as amigas, Rayane teria dito que precisava ir embora mais cedo e que o pai viria buscar, mas isso não aconteceu.

Ainda não se sabe se ela saiu do sítio sozinha ou acompanhada. Por volta das 5 horas de domingo, 21, os pais perceberam que a filha ainda não tinha ligado e acharam estranho. Eles contam que tentaram contato com ela, mas não conseguiram.

Na segunda-feira, 22, os pais espalharam vários cartazes pela cidade com fotos de Rayane e o telefone deles para contato. A família da jovem conta que ela não tinha namorado e que sempre teve o costume de avisar onde e com quem estava.

No celular de Rayane, a polícia identificou uma chamada para o 190 na madrugada em que ela desapareceu. A ligação durou apenas 14 segundos e foi interrompida. As buscas pela jovem foram feitas com a ajuda de cães de um grupo de voluntários e também de cães da polícia. Os cães indicaram a presença de Rayane em uma área onde o celular dela havia sido encontrado, perto da Rodovia Presidente Dutra, em Jacareí.