Aluna lutadora de jiu-jitsu diz no Encontro com Fátima Bernardes como enfrentou assassino na escola em Suzano
Lutadora de jiu-jitsu, a jovem contou que usou técnica para não ser derrubada na fuga/ Foto: Reprodução Globo
Governo do Estado de São Paulo ( Detran )

No programa “Encontro com Fátima Bernardes” desta quinta, 21, a apresentadora recebeu Rhyllary Barbosa dos Santos, a estudante de apenas 15 anos que lutou contra um dos assassinos do massacre na Escola Estadual Professor Raul Brasil, em Suzano, e conseguiu abrir a porta de entrada para que outros estudantes pudessem escapar.

Lutadora de jiu-jitsu, a jovem contou que usou técnica para não ser derrubada na fuga. “É uma coisa muito rápida, então, na hora, não pensei. Quando vi, já estava fazendo, foi uma coisa automática. No momento em que me vi nos braços dele, eu já estava fazendo tudo que aprendi dentro do jiu-jitsu. Foi questão de segundos”.

A jovem também lembrou o momento exato em que decidiu agir. “Eu estava na frente da cantina e dava para ver perfeitamente o que estava acontecendo. Tive uma visão muito ampla”.

“Tentei pensar rápido. Assim que me escondi, já passou pela minha cabeça: ‘É vida ou morte’. Quando pensei em sobreviver ou morrer, optei por sobreviver, claro. Foi ali que resolvi fazer algo. Estava todo mundo desesperado e ele estava sendo muito cruel, matando a sangue frio. Ele não ia ter dó de ninguém, então tomei a atitude de ir”.

Como ela manteve a calma durante tanta tensão?

“Eu sou uma pessoa muito tranquila, no meu dia a dia, porém, quando eu vejo que alguma coisa está errada, eu não consigo ficar quieta”.

Plano interrompido

“Ele não esperava que eu fosse chegar, nem os outros alunos. Talvez, o plano dele fosse: ‘As pessoas vão se esconder e eu entro e mato’. Ele não esperava que uma aluna fosse correr em direção a ele e entrar em confronto corporal”.

“Na hora que ele viu todos aqueles alunos, ele ficou perdido, porque não era o plano dele. Na hora em que eu abri a porta, ele não conseguiu mais segurar ninguém”.

Retorno à escola

A mãe da estudante do primeiro ano do Ensino Médio, Marilene, se diz recuperada do susto e contou que incentiva a filha a voltar à escola. “Estou dando força a ela. As coleguinhas estão implorando para ela não desistir de voltar porque precisam dela. E ela também quer voltar”.