A falta de investimento em cultura é brutal
Um dos maiores museus de história natural e antropologia da América Latina foi completamente destruído pelas chamas/ Foto: Divulgação
Prefeitura de Mogi das Cruzes

No último domingo o país presenciou uma tragédia cultural. O Museu Nacional, localizado no Rio de Janeiro, passou por um incêndio que destruiu praticamente todo o acervo histórico armazenado no local, quase 20 milhões de itens passaram a ser apenas cinzas. Um dos maiores museus de história natural e antropologia da América Latina foi completamente destruído pelas chamas.

A culpa do ocorrido está sendo jogada para o governo federal, uma vez que a administração do prédio era feita pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Isso por que o prédio é muito antigo e necessita de obras de modernização há alguns anos. Em 1990 uma modernização foi iniciada, entretanto, não foi adiante.

Esse ano o museu comemorou 200 anos de existência, juntamente com essa data o tão sonhado investimento chegou, 22 milhões do BNDES seriam investidos na restauração do prédio, dentre os objetivos, a instalação de um sistema de prevenção a incêndios, mas, parece que esse valor não chegou a tempo de salvar o museu.

Quase 30 anos pedindo socorro, essa tragédia não foi algo repentino, era algo esperado dado a situação estrutural do prédio, toda via, somente agora os olhos de todos se voltam para essa situação, depois que tudo já aconteceu.

Infelizmente o nosso país e seus governantes possuem um péssimo hábito de não investir em cultura, ela sempre fica de lado, recebendo migalhas para não morrer. O que aconteceu no Museu Nacional é reflexo disso. Desde 2014 o valor anual para manutenção não chegava, logo, o espaço ainda resistiu por longos quatro anos sem cuidados.

A prova de que os museus estão sendo deixados de lado é o histórico de incêndios. Em menos de dez anos, cerca de oito espaços culturais e científicos pegaram fogo, perdendo parte de seus acervos.

Infelizmente o pior já aconteceu, o que nos resta agora é dar adeus as tantas obras que foram perdidas, e clamar para que a cultura seja levada mais a sério, de modo que esse tipo de tragédia não volte a ocorrer.