Nesse último mês de maio o Brasil foi paralisado por uma greve de caminhoneiros de proporções nacionais que escancarou a imensa crise relacionada à política de preços praticada pela Petrobras. Mas por que chegamos a esse ponto? E o que vai acontecer em seguida?

A política adotada por Pedro Parente reverteu um quadro de cinco anos consecutivos de perdas, passando a gerar lucro novamente, e a dívida da empresa, que em 2015 chegou a R$ 391 bilhões, foi reduzida para R$ 270 bilhões. No entanto, fez isso tornando 1/3 das refinarias ociosas, abrindo espaço para importações, e referenciando o preço do combustível em relação ao do mercado.

O problema dessa política é que ela acaba repassando os custos ao consumidor. Na prática, a Petrobras deixa de servir aos interesses nacionais, para servir aos interesses de seus acionistas. Através do combustível o Estado brasileiro passou a funcionar como um “Robin Hood às avessas”, retirando da população, e repassando aos acionistas – muitos destes, milionários e estrangeiros.

Acredito que a crise da Petrobras não foi resultado apenas de uma gestão ineficiente, mas sim de uma direção política que só pode terminar em catástrofe social.

A política anunciada por Temer após a demissão de Pedro Parente, por sua vez, foi justamente a política que levou a Petrobras a um endividamento catastrófico e déficit contínuo. Justamente porque, para não onerar demasiadamente o consumidor, acaba onerando o Estado – mais de R$ 200 milhões serão retirados da Saúde e Educação para bancar o novo subsídio de preços. Uma nova bola de neve começa a ser formada.